DOM RONALDY SCHNEIDER CARDEAL WOJTYŁA, FSJPII
Homilia – 23º Domingo do Tempo Comum (Ano C)
Caríssimos irmãos,
hoje a Palavra de Deus nos coloca diante da parábola dos talentos. Ela nos revela, antes de tudo, a confiança que Deus tem em cada um de nós. Ele não nos criou para a estagnação ou para o medo, mas para a frutificação e para o serviço. Cada dom recebido é expressão da bondade e do cuidado de Deus, que conhece o coração de cada um.
O Senhor entrega talentos diferentes a cada pessoa, mas sempre de acordo com a sua capacidade. Não há injustiça nisso. O que existe é o olhar respeitoso de Deus, que chama cada um a dar frutos a partir do que é, a partir de sua identidade mais profunda. O problema nasce quando olhamos para o dom do outro e nos esquecemos do nosso. Foi o que aconteceu com aquele servo que recebeu apenas um talento: ao invés de confiar no Senhor e se alegrar com o que tinha recebido, preferiu esconder, dominado por uma imagem distorcida do patrão.
E aqui está um ponto essencial para nós: a visão que temos de Deus. Se O vemos como um Pai amoroso, confiamos; se O vemos como um juiz cruel, nos paralisamos. Quantas vezes também nós deixamos de servir porque achamos que não somos capazes, porque nos comparamos com os outros ou porque temos medo de errar!
Mas a Palavra nos convida a dar o passo da confiança: o que Deus nos deu é único e insubstituível. Ninguém mais pode viver a missão que Ele confiou a você.
E é justamente aqui que entra a beleza da vocação que hoje celebramos: a Ordenação Diaconal. O diácono é chamado a colocar os dons que recebeu a serviço do povo de Deus. O ministério diaconal é a encarnação concreta dessa parábola: entregar-se sem reservas, não esconder talentos, mas multiplicá-los na caridade, na Palavra e no altar.
O diácono é configurado a Cristo Servo, aquele que “não veio para ser servido, mas para servir”. Ele é sinal vivo de que os dons recebidos não são para si mesmo, mas para a edificação da Igreja. O seu “sim” é um ato de confiança em Deus e também um testemunho para nós: não devemos enterrar nossos talentos, mas fazê-los florescer no serviço ao próximo.
Caríssimo irmão que hoje recebe a graça da ordenação, a parábola dos talentos é também uma parábola da sua vida. Deus lhe confiou dons e hoje, pela Igreja, Ele os consagra de modo especial para que você os coloque inteiramente a serviço. O povo de Deus não espera de você resultados grandiosos aos olhos do mundo, mas fidelidade, generosidade e entrega.
Que o seu ministério seja fecundo, não porque você terá cinco ou dez talentos a apresentar, mas porque terá dado tudo de si. E ao final, o Senhor lhe dirá: “Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel no pouco, eu te confiarei mais. Vem participar da alegria do teu Senhor” (Mt 25,23).
Amados irmãos e irmãs, peçamos ao Espírito Santo que este novo diácono seja um sinal vivo do Cristo Servo no meio de nós e que também nós aprendamos a não enterrar nossos dons, mas a frutificá-los na alegria e no amor.
