Sua Santidade João Paulo II
Hoje celebramos com muita alegria a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, a Padroeira das Américas. Logo no início do século XVI, pouco depois da descoberta do nosso continente, a Virgem Maria veio pessoalmente falar ao coração do nosso povo. A história é bem conhecida: o índio Juan Diego, já de idade, saiu de casa para buscar um sacerdote para o seu tio doente, e no caminho encontrou a Virgem Maria.
A Igreja faz um paralelo bonito entre o cuidado de Juan Diego com o tio e o cuidado de Maria por nós. O Evangelho de hoje fala justamente da visita de Maria a Isabel, quando ela foi depressa ajudá-la. Assim como Maria cuidou de Isabel, ela também cuida de nós. Podemos imaginar que ela “sai do Céu apressada” para vir em nosso auxílio.
Juan Diego, preocupado e com medo, tentou evitar o caminho onde encontraria Nossa Senhora, como quem pensa que pode resolver tudo sozinho. Mas Maria o tranquiliza e diz: “Não temas. Não estou eu aqui que sou tua Mãe?” É uma frase que revela o coração amoroso de uma mãe que conhece profundamente as nossas necessidades.
Quando alguém se consagra a Nossa Senhora — e muitos fazem isso no dia 12 de dezembro — está dizendo: “Mãe, entrego minha vida nas suas mãos. Você sabe do que eu mais preciso.” Na história de Guadalupe, Maria aparece como uma mãe que cuida, que participa da vida de seus filhos e que até nos mostra necessidades que não percebemos. Foi ela quem pediu que fosse construído um templo em Tepeyac. Ela disse: “A devoção que tiverdes a mim vos salvará.” E realmente salvou: não só o México, mas todo o nosso continente.
Não existe país nas Américas que não reconheça Maria como protetora. Por isso podemos dizer, sem dúvida, que a América é o continente de Maria. Que Nossa Senhora de Guadalupe nos ajude a viver a nossa missão com mais firmeza.
Hoje vemos a Europa, onde o cristianismo começou, enfraquecer na fé. Já nós, aqui nas Américas, somos chamados a fortalecer nossas raízes cristãs, para que um dia possamos até ajudar na reevangelização daquele continente. Mas, para isso, precisamos estar sempre unidos a Maria, que em Tepeyac venceu os ídolos dos astecas e trouxe um novo começo. Ela é a mulher do Apocalipse que luta ao nosso lado para que um dia cantemos juntos a vitória de Jesus.
