Homilia - Festa de São Gregório Magno

DOM RONALDY SCHNEIDER CARDEAL WOJTYŁA, FSJPII 

Homilia – Jesus entra em nossa casa

Caríssimos, 
o Evangelho nos mostra hoje uma cena cheia de ternura e força: Jesus, ao sair da sinagoga, entra na casa de Simão Pedro e encontra a sogra dele enferma, tomada por uma febre alta. Ele se aproxima, toma-a pela mão e a levanta. Naquele instante, a febre a deixa, e ela imediatamente começa a servi-los.

Essa passagem nos revela algo fundamental: Jesus não deseja apenas estar em nossos templos, mas também em nossas casas. Ele não se limita ao espaço da sinagoga, mas atravessa a soleira da porta e se instala na intimidade da família. Isso significa que o Senhor quer entrar também em nossa vida cotidiana, com suas dores, fragilidades e enfermidades. Ele deseja curar não só o corpo, mas também a alma, tocando aquelas febres escondidas que nos consomem: a ansiedade, o egoísmo, a indiferença, a falta de perdão.

São João Crisóstomo dizia que, quando Jesus entra em nós, Ele apaga a febre dos desejos desordenados e acende em nosso coração o fogo do serviço. É exatamente isso que vemos na sogra de Pedro: curada, ela não fica parada celebrando sua cura, mas imediatamente se levanta para servir. É o sinal de que quem é tocado por Cristo não permanece fechado em si mesmo, mas se abre ao outro.

Outra homilia antiga recorda que, ao assumir nossas dores e enfermidades, como profetizou Isaías, Jesus revela a sua missão de Servo Sofredor. Ele não veio apenas para tirar nossos males superficiais, mas para carregar em Si mesmo o peso do nosso pecado, dando-nos vida nova. Cada cura realizada por Ele é um anúncio da salvação maior que traria na cruz e na ressurreição.
Caríssimos irmãos e minhas irmãs, a Palavra de hoje nos convida a duas atitudes:

Receber Jesus em nossa casa – não apenas no espaço físico, mas no coração e nas relações. Abrir-lhe a porta, confiar-lhe nossas enfermidades, entregar-lhe aquilo que nos pesa.

Responder com serviço – deixar-nos curar para levantar-nos e servir. A fé verdadeira não nos paralisa em agradecimentos vazios, mas nos impulsiona a agir, a doar-nos, a colocar nossos dons à disposição de Deus e dos irmãos.

Que neste dia possamos acolher Jesus em nossa vida como Pedro o acolheu em sua casa. E que, tocados pela sua mão, levantemo-nos também nós, curados de nossas febres, prontos para servi-Lo com alegria na Igreja e no mundo.

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