DOM RONALDY SCHNEIDER CARDEAL WOJTYŁA
Caríssimos irmãos em Cristo,
No Evangelho de hoje, Jesus nos lembra de algo fundamental: ninguém pode servir a dois senhores. Ou amamos a Deus ou nos deixamos dominar pelo apego às riquezas e preocupações materiais. Mas Ele vai além: nos convida a olhar para a criação, para as aves do céu, para os lírios do campo, e perceber a presença amorosa de Deus em tudo o que existe.
Jesus nos chama a uma confiança profunda. Se Deus cuida das aves que não semeiam nem ceifam, e veste os lírios com uma beleza que nem o rei Salomão teve, quanto mais não cuidará de nós, suas criaturas amadas? Cada ser humano, cada animal, cada planta é testemunho da providência de Deus. A criação não é apenas cenário para a vida humana: é dom, é expressão do amor divino, é nosso companheiro de jornada.
Hoje, somos convidados a refletir sobre nossa relação com a criação. Muitas vezes, preocupamo-nos apenas com o que vamos comer, vestir ou possuir, esquecendo que a vida e a natureza que nos sustentam são também dom de Deus. Ao nos preocuparmos excessivamente com bens materiais, podemos esquecer que a verdadeira riqueza está na harmonia com Deus e com toda a criação.
Cuidar da criação, portanto, é também servir a Deus. Proteger rios, florestas, animais e o ar que respiramos é um ato de amor e gratidão. Ao fazer isso, não apenas preservamos recursos para nós e para as futuras gerações, mas também reconhecemos que toda vida é valiosa aos olhos de Deus.
Jesus nos conclama: “Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo.” Isso significa colocar Deus no centro de nossa vida e agir com responsabilidade diante da criação. Nossa fé não é apenas oração e devoção, mas também ação concreta de cuidado com o mundo que nos foi confiado.
Que esta mensagem nos inspire a viver com simplicidade, confiança e gratidão. Que possamos aprender com as aves do céu e os lírios do campo a confiar na providência de Deus, valorizando a vida e a natureza que Ele nos deu. Que nosso amor a Deus se manifeste também no cuidado da criação, para que cada gesto nosso seja expressão de justiça, compaixão e reverência pela vida.
