Homilia – Festa de Nossa Senhora das Dores

DOM RONALDY SCHNEIDER CARDEAL WOJTYŁA 


Caríssimos Irmãos, 
Hoje a Igreja celebra a memória de Nossa Senhora das Dores, a Mãe bendita que permaneceu de pé junto à Cruz de seu Filho. Contemplamos o Coração Imaculado e Dolorosíssimo de Maria, que deve ser para nós objeto de profunda meditação.

Deus quis nos amar com um coração humano. Por isso, o Verbo se fez carne, e no coração de Jesus experimentamos a medida extrema do amor divino: “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Esse Coração, aberto na Cruz, é fonte de redenção e misericórdia.

Mas o mistério não termina aí. Se Deus nos deu o Coração de Cristo para padecer e nos amar até o fim, Ele também preparou um outro coração, capaz de se compadecer plenamente: o Coração de Maria. Porque nós, muitas vezes, ao contemplarmos a Cruz, respondemos com frieza, ingratidão e indiferença. Nosso Senhor, quando apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque, queixava-se justamente disso: as almas escolhidas, consagradas a Ele, eram as que mais friamente respondiam ao Seu amor.

No entanto, houve um Coração que não reagiu com indiferença, mas que correspondeu com amor perfeitíssimo: o de Nossa Senhora. Ela sofreu com Jesus, uniu-se à Sua dor e participou do Seu sacrifício.

Os evangelhos que a liturgia nos oferece hoje nos recordam esse mistério. Em Lucas, Simeão profetiza: “Uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2,35). E em João, vemos Maria de pé junto à Cruz (Jo 19,25), oferecendo com o Filho o sacrifício mais perfeito: o sacrifício da fé.

De fato, irmãos, Jesus, sendo Deus, não tinha fé; Ele é o objeto da fé. Mas Maria creu no silêncio do Calvário, quando tudo parecia perdido. Se louvamos a fé de Abraão, que ofereceu Isaac, quanto mais devemos louvar a fé da Virgem Maria, que ofereceu o próprio Filho de Deus.

Por isso, hoje a Igreja nos recorda que a Mãe estava de pé, chorosa, junto da Cruz de seu Filho. Neste somos convidados à meditação: pedimos à Virgem Santíssima a graça de não permanecermos indiferentes diante da Cruz, mas de padecermos com Cristo, de unir nosso coração ao dela.

Peçamos, então, que o Coração Doloroso e Imaculado de Maria alcance para cada um de nós esta graça: amar Jesus como ela O amou, sofrer com Ele, para que possamos também ressuscitar com Ele.
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