Homilia - São Tiago, Apóstolo, Festa


 DOM RONALDY SCHNEIDER CARDEAL WOJTYŁA 

Homilia: O Pedido da Mãe dos Filhos de Zebedeu

No Evangelho de hoje, vemos Maria Salomé, mãe de Tiago e João, fazer a Jesus um pedido aparentemente justo e cheio de reverência. Ela se aproxima, ajoelha-se, espera que o Senhor lhe dê atenção, e pede não riquezas, não conforto, mas o que há de mais alto: a glória eterna para seus filhos. É uma oração que tem piedade, confiança, desinteresse pessoal e intenção reta.

E no entanto, Jesus responde: “Não sabeis o que estais pedindo”. Por quê? Porque, embora o desejo fosse bom, o caminho proposto era humano demais. Há em nós, muitas vezes, esse mesmo impulso: queremos coisas boas, mas segundo nossos cálculos, nossos planos, e não segundo os caminhos de Deus. Buscamos uma coroa sem espinhos, uma cruz mais leve.

“Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” — pergunta Jesus.
O cálice é sinal de sofrimento e entrega. Cristo nos lembra que não há glória sem cruz, não há ressurreição sem paixão, não há Reino sem a via do servo. Não basta querer estar à direita ou à esquerda no Reino; é preciso primeiro caminhar com Ele até o Calvário.

Esse é o centro da vida cristã: assumir o cálice da dor, da entrega, da obediência, como via para a graça e a transformação. A oração verdadeira não é apenas um pedido, mas um abandono: “Seja feita a tua vontade”.

Jesus está ensinando que, no seu Reino, a grandeza é diferente: “Quem quiser ser o maior, seja o servo”. A cruz é critério. O poder e o prestígio que o mundo busca não têm valor no Reino. O trono de Jesus é a cruz. O cálice dEle é o da entrega.

A resposta de Jesus a Salomé não é um não à glória, mas um sim ao caminho. Tiago, um dos filhos dela, beberá do cálice: será o primeiro apóstolo a morrer por Cristo. João também beberá: será o último a morrer, mas passará pela dor da fidelidade solitária. Ambos alcançaram o que pediram, mas não como imaginaram.

Maria Salomé reza como mãe, como crente, com intenções nobres. Mas Cristo nos convida a rezar mais profundamente: com a cruz no horizonte, com disposição para beber do cálice, com abandono na vontade do Pai. É essa oração que transforma e nos renova.

Rezemos como Jesus: “Pai, afasta de mim este cálice... mas não se faça a minha vontade, mas a tua”. Então, sim, nossa oração será eficaz e frutuosa, pois estará unida ao sacrifício de Cristo, que transforma o pedido humano em vontade divina.


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